Minha Bike, meu divã…

Seria muito clichê começar falando que nos dias de hoje a dinâmica do mundo moderno leva o homem a um estado de permanência que está além de sua natureza física e psicológica, mas já que comecei assim, deixem-me continuar…

Estresse, angústia, raiva, depressão são apenas algumas das inúmeras conseqüências que aparecem como a ponta de um iceberg, emergindo neste mar gélido e caótico que se tornou a vida do homem moderno.  Passamos dias inteiros tentando cumprir tudo que nos é cobrado, ou até mesmo que nós mesmos nos cobramos. É como se estivéssemos, para usar uma imagem interessante que vi em uma genial peça de teatro – O Congresso Internacional do Medo, do grupo Espanca – “correndo atrás do nosso pensamento”. Passamos o dia sentados em um lugar, em determinado tempo e espaço, mas nossas mentes se encontram perdidas em outro. Estamos em nossas casas, mas nossas cabeças se perdem no trabalho. Estamos no caminho para o trabalho mas nossas mentes se perdem nos desejos não realizados do final de semana que passou. Estamos com nossos 27 anos, mas nossas mentes insistem em lembrar o que não fizemos aos 18 ou, ainda, se atormenta com as incertezas dos futuros 40 anos.

Nestes momentos transitamos neste tempo e espaço em uma velocidade tão nefasta que nos impedem de perceber o agora.

Mas em cima de duas rodas o tempo presente é o que me importa. São minhas pernas, meu corpo, meu limite, que ditam a velocidade que desloco no mundo. É em cima de duas rodas que o tempo e o espaço se sincronizam ao meu pensamento e ao meu corpo. Como se uma linha percorresse minha mente, passando por cada parte do meu corpo e adentrasse pelo solo que percorro em uma troca de energias em sentido duplo, da terra para mim e de mim para terra. Assim, cada pedalada se traduz em uma distância, em alguns segundos, em algumas gotas de suor. Cada quilômetro vencido é percorrido pelo contato dos pneus com o solo, mas também com o passeio de meus olhos atentos a cada detalhe do percurso. Cada respiração traz até a mim inúmeras informações sobre o lugar que passo, o cheiro das folhas verdes, o ar úmido ou seco, o mato cortado, até mesmo a fumaça dos grandes centros. Neste deslocamento o vento que bate em meu rosto me presenteia com o frescor e alivia o esforço que meu corpo despende. É neste momento que percebo que faço parte de um todo, estou imerso em um universo de forças, um universo de sensações, que só posso ter consciência se estiver presente, se estiver no presente.

Ali, em cima de duas rodas, os problemas se evaporam, como as gotas de suor que o vento seca. É em cima de minha bicicleta que tomo consciência de mim.

Barba,

paz.

Pedalando pelo meio ambiente

Essa é pra quem está em Belo Horizonte. Vamos nessa?

Relato – Relato: Subida da Serra da Piedade – Parte 3 (final)

Pedalando nas nuvens

Pedalamos mais 6 km de estrada de asfalto até a entrada na cidade de Caeté. Uma breve parada na pracinha da igreja para o lanche, e outra num mercadinho pra renovar o estoque de alimentos e bebidas e seguimos em frente. Agora era o momento mais crítico. De um ponto na saída da cidade até o alto da Serra eram mais ou menos 20km só de subidas, sendo os últimos 5 a 6 km os mais íngremes e doloridos.

Estava cansado, mas meu amigo Barba estava bem mais. Fui dando aquele “apoio moral”, a subida da estrada era o momento final. O calor diminuíra, e a medida em que íamos subindo aparecia a neblina, já não tão densa, pois o sol era forte e já passava do meio-dia.

No alto da Serra, a visita de amigos...

No alto da Serra, a visita de amigos...

... e as magrelas abençoadas a 1746m de altitude

... e as magrelas abençoadas a 1746m de altitude

Durante a subida, ajulejos ilustrando a Via Sacra e a bela vista. Mesmo pedalando, a velocidade não passava dos 6km/h. Após mais ou menos 1 hora de subida forte, a recompensa. Na chegada, a satisfação e a sensação de dever cumprido. Me lembrei da minha 1ª vez, tentando imaginar a satisfação de meu amigo. Acabávamos de conquistar a Serra da Piedade!

Alguns dados técnicos sobre o pedal

Subida da Serra da Piedade

Total pedalado: +-67 km

Dificuldade: alta (mesmo sem o trecho de trilha, muitas subidas)

BH – saída de Sabará: 24 km

Caminho do Sabarabuçu (trilha): 15 km

Fim da trilha – entrada de Caeté: 6 km

Entrada de Caeté – Alto da Serra da Piedade: 22 km

Tempo Total: +- 5 horas e de pedal

Velocidade média: 13,4km

Perae! E a volta??

A volta foi toda pelo asfalto, e mesmo cansados, levamos em torno de 3 horas, curtindo bem as muitas descidas (que na ida eram subidas…) A pedalada totalizou 130 km em 8 horas (de pedal).

P.S. (fotos inseridas as 14:05 do dia 01/06)

Relato: Subida da Serra da Piedade – Parte 2

“A vingança das bikes”

Foi o nome que demos ao relativamente pequeno (e cansativo) trecho que subimos carregando as magrelas nas costas ao tomarmos a segunda opção. Seguir por completo o Caminho do Sabarabuçu tinha se tornado uma possibilidade sedutora, apesar de não sabermos a sua extensão, e nem mesmo seu estado de conservação.

Após a subida, a recompensa. Um trecho maravilhoso de trilhas fechadas, alternando subidas leves e descidas, exigindo alguma atenção com pedras, tocos de árvore no chão, e alguns trechos mais estreitos (mata fechada de um lado e barrancos do outro). Alguns filetes d’água e mesmo um pequeno riacho, que foi ideal pra dar uma refrescada nas magrelas, já bem enlameadas. A curtição terminou numa ponte estreita que balançava muito, onde aproveitamos pra nos divertir um pouco.

Eu e Joelma: tirando o excesso de lama

Eu e Joelma: tirando o excesso de lama

Depois as coisas foram mudando. O caminho tinha ficado realmente fechado, nos colocando em dúvida se seguíamos ou não a direção correta (na ponte estreita tínhamos encontrado o último dos postes do Caminho. Seguimos por em trecho com muito mato e bem fechado, onde mal se via a trilha. Mesmo na dúvida entre esse trecho e outras “picadas” abertas, saimos em uma “rua” de pedras, provavelmente uma antiga linha de trem desativada(estavam só as pedras, sem trilhos). Lá estava mais um poste do Caminho. Estavamos na direção certa. Seguimos um pequeno trecho nas pedras para a esquerda e avistamos a continuação da estrada, agora aberta. O tempo quente e seco do inverno mineiro já estava ficando mais forte…

Daí em diante a coisa se complica mais. Subidas pesadas e muito cascalho, dificuldades pros pneus de Joelma. Mesmo as descidas, com muitos degraus me exigiram muita atenção e cuidado. Normal era apoiar os pés no chão em trechos mais técnicos e descer da bike pra empurrar nas primeiras subidas (bem pesadas). Nesse trecho Barba foi na frente todo o tempo (tirando inclusive fotos do meu sofrimento em algumas subidas). Depois de uma descida forte, um susto: uma ponte de madeira, estilo “mata-burro”, camuflada em meio a muito mato, obrigou meu amigo a parar bruscamente. Ao apoiar os pés no chão, a coroa “beliscou” sua perna, fazendo alguns furos que sangraram por um tempo.

Por entre as montanhas: subidas fortes e com muitas pedras soltas

Por entre as montanhas: subidas fortes e com muitas pedras soltas

Não havia muito o que fazer, a não ser terminar o caminho. Cercados por montanhas, não tinhamos certeza de quanto faltava. Ele lavou o machucado, que dentro de pouco tempo, parou de sangrar e melhorou um pouco a aparência. Não sei quanto ao meu amigo, mas já começava a pensar se tinha sido mesmo uma boa idéia nossa opção pela trilha ao invés do asfalto. Não pela curtição, mas por ser um caminho desconhecido. Finalmente, após fortes subidas, o barulho de um carro… o Caminho de Sabrabuçu estava terminado. Aproximadamente 15km de trilhas com alguns trechos bem pesados (subidas) e alguns trechos técnicos. O Caminho terminava em um trecho da estrada de asfalto.

O final do Caminho do Sabarabuçu: 15 km de trilhas...

O final do Caminho do Sabarabuçu: 15 km de trilhas...

... recompensados por uma bela vista. Ao fundo, encoberta pelas nuvens, a Serra da Piedade. Nosso objetivo final.

... recompensados por uma bela vista. Ao fundo, encoberta pelas nuvens, a Serra da Piedade. Nosso objetivo final.

Pedalar em trilhas é um desgaste imensamente maior comparado ao asfalto. Já não tinha certeza sobre nosso objetivo inicial, a subida da Serra da Piedade. Estavamos com 39km pedalados no total. Perguntei ao Barba sobre seu machucado, se estava tudo ok, e sobre o que faríamos naquele momento. Ele disse: “eu vim aqui pra subir a Serra”.

E lá fomos nós

Continua…

Relato: Subida da Serra da Piedade – Parte 1

Sábado 23/05 foi dia de pedal. E um pedal especial. Marquei com o Barba de subirmos a Serra da Piedade, que fica na cidade de Caeté (MG), a aproximadamente 55km de Belo Horizonte. Eu já tinha pedalado até lá por duas vezes: a primeira não me lembro bem, por volta de 2002, e a segunda recentemente, no dia 03/05. Para meu amigo, seria a primeira vez, e ainda, a primeira pedalada com mais de 100 km.

Saímos cedo da minha casa, as 5:30 da manhã, e em pouco menos de uma hora já estávamos em Sabará (+- 18km lá de casa). Uma parada rápida no centro histórico para fotos e seguimos rumo a estrada para Caeté. A idéia era pegar a estrada de asfalto que liga Sabará a Caeté e depois seguirmos para a subida da Serra.

O centro histórico de Sabará - MG

O centro histórico de Sabará - MG

Porém, ao dar uma breve parada no início da estrada para “aliviar”, um comentei com meu amigo que tinha uma saída de terra a esquerda que era uma trilha, que eu não conhecia, mas que todos diziam que ia pra Caeté, passava pela linha do trem, por um túnel desativado etc. No mesmo momento passa um morador, percebe nosso interesse e diz: “essa trilha sai lá no Pompéu”, referindo a cidade de Pompéu, que ficava entre Sabará e Caeté. Chegamos perto e vimos o poste sinalizador de um dos caminhos do circuito turístico da Estada Real: o Caminho do Sabarabuçu.

O caminho é sinalizado com os postes do circuito turístico Estrada Real

O caminho é sinalizado com os postes do circuito turístico Estrada Real

Resolvemos então desistir do projeto inicial de ir pelo asfalto, e experimentar a estrada de terra. Estavamos até o momento com 24km rodados. Estrada boa, bonita, vazia, e praticamente reta, evitando as subidas do asfalto. Pedalamos por mais 7km, sendo que nas bifurcações seguíamos sempre a sinalização. Nesse momento um trecho crítico: o caminho apontava para uma trilha fechada, com uma subida forte e acidentada, impossível de ser vencida pedalando. Após alguns momentos de dúvida, passa por nós um caminhante, que nos informa que o caminho da trilha estava muito fechado mais a frente, e que a outra opção nos levaria ao trecho correntemente frequentado por ciclistas, que passava sob o túnel.

Barba pedalando: ainda cedo, o início tranquilo no estradão de terra batida...

Barba pedalando: ainda cedo, o início tranquilo no estradão de terra batida...

que ao longo de +- 6km ia se transformando em uma trilha mais fechada

que ao longo de +- 7km ia se transformando em uma trilha mais fechada

Que opção tomar? Ir pelo caminho mais fácil e normalmente pedalado ou seguir rumo ao desconhecido, e subindo com a bike nas costas?

Continua…

Pedalando para o trabalho

Ir para o trabalho de bicicleta é uma excelente alternativa para quem se cansou do trânsito das cidades, e pretende encará-lo de outra forma. Claro que não é tão simples quanto parece, afinal, encarar o trânsito das cidades de bike exige alguns cuidados. Mas isso é assunto pra outro post, agora vou me dedicar a questão do tempo e da “estrutura” necessária para a empreitada.

No meu atual emprego dei muita sorte. Tenho um ônibus que passa em frente de casa e me deixa em frente o trabalho. Leva 20 minutos com trânsito livre, com o trânsito mais chato pode chegar a 30, 35. Já é uma ajuda para quem não tem carro, mas pensando na bike as coisas ficam ainda melhores. Da minha casa ao trabalho são 4,2 km (de bike). Levo em média 14 minutos pr ir e 12 pra voltar. Quando saio a noite e volto de ônibus, se falha a correria pra chegar no ponto as 22:20 (que é a hora que saio do trampo),  são 25 minutos só esperando! E a vontade de chegar em casa depois de um dia inteiro de trabalho deixa a espera ainda mais difícil. Isso é um baita incentivo quando penso em ir de ônibus ou bike.

De bicicleta perdemos ainda algum tempinho com troca de roupas, banho e estacionamento, mas nada comparado ao tempo (e a sensação incômoda) de esperar o ônibus (princialmente em bairros e regiões que não são bem atendidas, por um serviço pelo qual pagamos caro). Além disso, aqui no trabalho também tem vestiário e bicicletário, um verdadeiro adianto. Na ida, com trânsito mais movimentado, um pouco de atenção e a sensação de já chegar no trabalho ligado. Na volta, a noite, sempre bem sinalizado, vou relaxando e curtindo as ruas mais vazias.

Maraviha!

Se você se animou, ai vai a campanha (voz do locutor): “Analise a distância e o melhor trajeto. Converse com seu chefe e peça estrutua de apoio (1 chuveiro e local para guarda da bike). Faça o teste você também e compare. Va de bike para o trabalho!”

P.S. (adicionado as 16:07 hs): Para quem se interessa por questões sobre a bicicleta como meio de transporte e mobilidade urbana, vale uma visita ao site da ONG Transporte Ativo (também na nossa seção de links).

Clementina

Como bem foi comentado pelo André, essa loucura de dar nomes nas companheiras é algo normal… rs  E esta que vos apresento é a Clementina. Minha companheira de aventuras, ainda uma jovem e inexperiente com seus 740km rodados em 3 meses e pouco. Seja da Universidade para casa, nos passeios de fins de semana ou nas viagens e trilhas é ela que acompanha minhas loucuras.  O nome surgiu de uma mescla entre a história da bicicleta e a música. Uma das primeiras importadoras de bikes para o Brasil chama-se Clement (para maior detalhes ler – Pedalando na Modernidade: a bicicleta e o ciclismo na transição do século XIX para o XX”.) descobri essa informação na mesma semana que assisti a uma reprise daquelas clássicas paródias dos Trapalhões da música cantada por Clara Nunes (Didi Mocó) e Clementina de Jesus (Mussum) – Não vadeia Clementina. A mente fértil uniu as duas coisas e eis que surge a idéia – Clementina!!!! Por que não?

Seu corpinho é GTI Alumínio, grupo Shimano Alívio, com suspensão dianteira de 80 mm. Foi montada pensando em trilhas leves, deslocamento na cidade e algumas viagens.

Foto na trilha do Sabarabuçu, entre Sabará e Caeté (MG)

Foto na trilha do Sabarabuçu, entre Sabará e Caeté (MG)

Joelma

Apresento-lhes minha atual companheira de pedaladas. Seu nome é Joelma, inspirada na cantora da Banda Calipso mesmo, por causa da sua quantidade de adereços (paralamas, bagageiro, descanso, e mais uma buzina que adaptei no quadro) e de seu charme. É uma Caloi City Tour, e tirando a gambiarra da buzina, ciclocomputador e lanterna dianteira e traseira, ainda não mexi em nada da configuração original (Grupo Shimano Tourney). Minha antiga bike, a Tetéia, era bem diferente. Quadro pequeno (17) e toda preparada para trilhas pesadas (pedal clip, grupo Deore, suspensão de 70mm), e a pedalada numa posição bem “agressiva”. Ágil e rápida. Pesquisei um bocado para comprar a Joelma, e já tinha o “sonho” de ter uma City Tour, pensando em meus deslocamentos dentro da cidade e em futuras cicloviagens. Um amigo foi olhar essa bicicleta na loja e o vendedor disse que ela era “bicicleta de tiozão”. Acho que era isso que eu pensava também, mas, pouco tempo depois de comprá-la já estava bem adaptado, e também muito empolgado em assumir meu lado “tiozão”. Foi como ter trocado um carro esportivo por um Opala. A mesa regulável eu deixei na posição mais avançada (0º), por estar ainda adaptado a posição das MTBs, mas o guidom curvo já dá uma elevada na posição do corpo. Rodas 700, canote com suspensão, e a possibilidade de pedalar sem mochila nas costas quando eu quisesse. Uma maravilha! Ótimo desempenho na cidade e no asfalto. Além disso, tenho feito umas trilhas com ela e me adaptando pouco a pouco. Nunca fiz trilhas muito pesadas, que exigissem muito da minha técnica (que geralmente se resume a descer da bike e subir o degrau mais alto, o barranco etc.) Aguenta tranquilamente em estradão de terra batida, mas passo algum aperto com trechos com mais lama. Se alguém souber onde conseguir pneus com cravos para rodas 700, por favor me avise! Só espero que não tenha que tirar os paralamas…

Joelma na Serra da Piedade em Caeté - MG

Joelma na Serra da Piedade em Caeté - MG

Posando pra foto

Foto tirada por mim durante um passeio pela cidade de Tiradentes (MG) em 2008

Foto tirada por mim durante um passeio pela cidade de Tiradentes (MG) em 2008

Tetéia (in memorian)

Pra quem pedala geralmente é normal (normal?!) batizar suas companheiras. Então, segue abaixo uma foto da Tetéia, que ficou comigo de 2002 até 2008. Comprada usada do dono de uma bicicletaria de bairro, tetéia me acompanhou durante parte da faculdade, rodando pela cidade e por pequenas viagens no entorno de BH. De vez em quando ela deve aparecer ainda por aqui. Uma justa homenagem pelos mais de 7000 kms de serviços prestados

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