Relato: de Parnaíba (PI) a Jericoacoara (CE) – parte 4 (final)

Terceiro dia: de Camocim a Jericoacoara

O último dia da viagem revelaria as últimas surpresas, resolvidas de forma bem mais tranquilas, depois da gota d’água (ou do encharcamento mesmo) do episódio de perder a câmera. No dia de minha chegada a Camocim (sábado) rodei por toda a cidade e consegui achar uma câmera fotográfica – dessas de filme – por 20 reais. Seguindo os preceitos da implacável lei de Murphy, não consegui achar filme. Me disseram estar em falta, e só chegaria estoque na cidade na segunda-feira.

O adeus a Sebastiana

Acordei na madrugada de domingo com o dedinho do pé direito latejando, estava inchado e sentindo muita dor. Achei estranho pois pedalei sempre de tênis e não bati o pé em lugar algum. Algum bicho poderia ter me mordido, mas não encontrei nada no quarto. Pela manhã a dor persistia, e vi que não conseguiria pedalar.

A viagem de bike se encerraria por ali, mas Sebastiana ainda cumpriria sua parcela de responsabilidade em me levar a meu destino final. Vendi a bike ao dono da pousada, o Sr. Carlos, por 63 reais (13 da diária do quarto mais 50 reais em dinheiro). Com os R$50, paguei o passeio de buggy até Jericoacoara. Um caminho lindo, que vi que poderia ter feito de bike, gastando mais um dia da viagem. Mas não esquentei, e resolvi curtir o passeio (que é muito bonito). Passando pela vila de Tatajuba e por Guriú, cheguei em Jericoacoara uns 45km depois. O caminho de bike deve ser feito com cuidado, pois ao contrário dos outros trechos da viagem, o percurso é muito explorado pelo turismo, e o tráfego de buggys e carros 4×4 é intenso.

O adeus a Sebastiana: 130km percorridos O adeus a Sebastiana: 130km percorridos

Chegando em Jeri consegui comprar filme pra máquina, finalmente. Só falta agora revelar e arrumar um scanner (rs). Terminei a viagem em alto astral, pois além de aproveitar mais um dia de praia e descanso, consegui recuperar as fotos e vídeos no cartão de memória da máquina (que ajudaram a “colorir” esses relatos).

Resumo da viagem e algumas considerações

Percurso pedalado: 130km

A bicicleta: a melhor bicicleta para cicloturismo é a sua. Você pode economizar em tudo numa viagem, menos na bike. Não foi isso que eu fiz. Como foi uma viagem de trabalho em qua a possibilidade de pedalar apareceu em cima da hora, foi uma solução barata. Sebastiana era limitada, mas me serviu bem por apenas 2 dias de pedalada. Tenho certeza que com Joelma renderia bem mais, mesmo que pedalasse o mesmo percurso, teria terminado mais inteiro. Na próxima viagem vou abrir a mão e descolar um mala-bike.

Segurança: Não me senti ameaçado ou com medo durante todo o percurso. Seja pelo percurso (trânsito etc) ou por situações de perigo. Ao contrário, pedalei totalmente sozinho por grande parte do trajeto.

Pedalar sozinho: sempre pedalei sozinho, mas em trechos conhecidos e geralmente habitados ou mais movimentados (estradas). Pedalar sozinho em áreas totalmente desabitadas exige um certo grau de concentração, a medida em que a situação vai se prolongando. Durante o segundo dia, por alguns momentos, senti certo incômodo a medida em que essa situação ia se estendendo. Creio que isso aconteceu comigo por não saber a distância que estava do meu destino, e a incerteza do percurso. Mas estava tranquilo, tinha minha barraca, comida e água caso precisasse pernoitar. Como sempre gostei dessa sensação de isolamento, conversei bastante comigo, com Deus e com tudo que via pela frente.

Pedalar no sol: O sol forte foi um fator complicador da viagem. Usar muito protetor solar, boné e se hidratar constantemente é fundamental. O sol do nordeste é implacável. Procurei, sempre que possível, pedalar de manhã bem cedo, parando pra descansar nas horas de sol mais forte, e continuando no período da tarde.

Planejamento: cada viagem exige um planejamento específico. Quanto mais “aberta”, mais amplo deve ser o planejamento. Foi o caso dessa viagem. Fui preparado pra dormir em pousada ou em barraca, levando mantimentos que prevessem essa situação. Apesar de apenas 2 dias pedalando, carreguei 20kg de bagagem, incluindo, água e mantimentos, barraca e mochila. Levei também ferramentas e câmara de ar reserva.

Pedalar carregado: é muito diferente, mas acho que me adaptei bem. É muito importante definir “o que vai aonde”, distribuir bem o peso, e amarrar bem a carga. No primeiro dia senti um leve desconforto, pois a parte posterior da coxa encostava na mochila ao pedalar. Corrigi na hora e segui viagem tranquilamente.

Encontros: durante toda a viagem sempre encontrei pessoas disponíveis para ajudar. De informações até as travessias de barco, sempre troquei a possibilidade de chegar em meu destino mais cedo por um bom papo.

Anúncios

Relato: de Parnaíba (PI) a Jericoacoara (CE) – parte 3

Segundo dia: de Cajueiro da Praia (PI) a Camocim (CE)

DSC04497

Foi assim que começou o dia. Uma das mais belas visões e recordações da viagem. Cheguei às 6 em ponto na praia. Na verdade, era barra do rio Timonha, que separa o Piauí do Ceará. Andei um pouco pela praia, e não encontrei o pescador com o qual havia combinado a travessia. A maioria dos barcos estava na areia, pois a maré havia baixado bastante. Assuntei com alguns pescadores que encontrei por lá sobre a travessia, dizendo que havia sido abandonado por um de seus colegas. Logo, 3 deles disseram que estavam saindo pra pescar, e se dispuseram a desviar de sua rota, me levando ao outro lado, para a praia de Bitupitá (que alguns chamavam Itupitá). O barco deles era o único em condições de sair naquele momento. Caso contrário deveria esperar até 9, 10 da manhã para poder prosseguir. Me apressei e fui com eles. “Seu” Marcos, Raimundo e Antonio José me levaram remando, por mais ou menos 1 hora. A travessia foi linda: o sol nascendo, paisagem maravilhosa, água verde e muita prosa. Falaram da rotina de pescador, do rio, do peixe-boi (o rio Timonha é o local que abriga um projeto ambiental do Peixe-Boi), das coisas da cidade. Se mostraram interessados na minha viagem, perguntaram sobre o percurso percorrido e falaram o que sabiam sobre o caminho que viria. Me disseram que era possível chegar pela praia até Camocim. Era o bastante.

No barco a remo, rumo ao Ceará

No barco a remo, rumo ao Ceará

Chegando ao outro lado, agradeci a meus amigos, paguei pelo transporte (o preço foi combinado – R$40) e as 7:15hs da manhã começava a pedalar. Um silêncio maravilhoso, pouco vento, sol ainda fraco e uma paisagem deslumbrante. Distantes bancos de areia em meio ao mar confundiam a visão do horizonte, antes acostumada ao azul infinito. Chegara ao Ceará com o pé direito. A maré baixa, ideal para pedalar, e um caminho desconhecido pela frente.

Bitupitá: aqui começa o Ceará

Bitupitá: aqui começa o Ceará

Areia e mar se misturam no horizonte

Banco de areia em alto mar: areia e mar se misturam no horizonte

Depois de pedalar por aguns quilômetros sozinho, avistei um pequeno vilarejo e barcos de pescadores no mar. Sempre parando e me informando sobre o percurso. A medida em que passavam as horas o sol ia ficando mais forte, e a pedalada mais cansativa. Parava sempre que tinha vontade, para fotos, comer ou um banho de mar.  Depois de muitos quilômetros sozinho cheguei a Praia Nova, onde havia uma pequena vila de pescadores. Lá descobri ter passado por uma praia chamada Curimã. Foi um momento crucial da viagem, onde tive uma bela experiência e uma boa dose de sorte.

Sem estrutura turística: duante vários quilômetros, apenas vilas de pescadores

Sem estrutura turística: durante vários quilômetros, apenas espaçadas vilas de pescadores

Estava cansado, com fome e sede, e preocupado com minhas reservas de água. Tinha ainda 2 litros (dos 5 que carregava), mas não sabia nada sobre o percurso que ainda me restava, uma vez que seguia pela praia e longe de qualquer sinal de estrada. Resolvi recarregar as reservas de água, parar, descansar, fazer um lanche. Inicialmente conversei com alguns pescadores que estavam  na praia, e me disseram que pouco a frente havia a barra do rio dos  Remédios, a última a ser transposta de barco em meu percurso até Camocim. Essa era a boa notícia. A má foi quando disseram que não havia ninguém por lá e que não haveria como atravessar. Uma de minhas opções era pedalar mais uma hora estrada a dentro até chegar a Barroquinha, para então seguir pelo asfalto. Essa possibilidade me desanimou um bocado, e fiquei por um tempo sem saber o que fazer. Perguntei por um mercadinho, e me indicaram uma casinha de barro com teto de palha. Subi um pouco a areia fofa e percebi melhor a vila, que não passava de 5 ou 6 casas nessa  mesma condição, alguns porcos, e apenas uma camionete velha, em meio a muita areia e dunas. Muitas crianças, jovens, poucos idosos. Era uma vila muito pobre. No mercadinho não tinha água, só agua de poço. Recusei educadamente e pedi 2 litros de uma tubaína desconhecida, que me ajudou a devorar uns pacotes de biscoitos. Eu parecia um verdadeiro E.T. naquele lugar. Todos me olhavam sorrindo e com curiosidade, e conversei um pouco com eles, contando sobre a viagem, mas simplesmente não tive coragem de tirar nenhuma foto. Durante toda a viagem fiquei impressionado com a disponibilidades de todos que encontrei em meu caminho. Sempre se dispuseram a me ajudar seja com informações ou nas travessias. Em Praia Nova, meu dinheiro valia muito pouco ou quase nada. Pouco tempo depois de descansar e de algumas conversas, dois jovens disseram que me atravessariam a barra dos Remédios. Ao perguntar disseram que me cobrariam 15 reais. Eles pegaram suas bikes e me acompanharam por 5km até o ponto da travessia. Foi a única travessia que não filmei, pois o pequeno barco balançava muito e quase tombou por diversas vezes. Passei todo o tempo (que foi rápido, uns 5 min mais ou menos) preocupado em segurar a mim e a bicicleta.

O pequenino barco no qual atravessei a barra do Rio dos Remédios

O pequenino barco no qual atravessei a barra do Rio dos Remédios

Quando a maré encher

Já do outro lado, prossegui minha viagem, sem saber o que me aguardava. Os jovens me disseram que pedalaria mais ou menos por mais 3 horas até Camocim, mas que podia ser atrapalhado pela maré que estava enchendo. O trecho do segundo dia era bem desabitado, comparado ao primeiro. Pedalei por quilômetros sem encontrar uma pessoa sequer, e sem saber dizer o nome das praias ou localidades. Descobri que ao optar por fazer a travessia (ainda em Cajueiro) de barco e seguir pela praia, deixara de passar por duas cidades: Chaval e Barroquinha, que ficavam um pouco afastadas da praia. Mais tarde vi também que com isso havia “economizado” pelo menos 30 Km, pois as estradas de asfalto dão uma volta muito grande para contornar os chamados “braços de mar” (locais onde fiz as travessias de barco).

Estava com apenas 2 litros dágua, e minha visão do horizonte sem sequer uma vila ou casa me fez decidir pelo racionamento. Mais a frente, uma grande obra de coletores de energia eólica. Verdadeiros cata-ventos gigantes a beira mar.

Praias desertas rumo a Camocim: plantação de cataventos

Praias desertas rumo a Camocim: plantação de cataventos

Alguns tempo depois percebi que estava chegando perto de algum lugar, pois avistei um carro correndo pela praia. A maré enchia cada vez mais, me obrigando a dar grandes voltas para contornar “lagoas” mais profundas que se formavam. Comecei a ter de descer para empurrar por várias vezes, e outras a pedalar práticamente dentro d’água.

A situação estava ficando crítica. O sol forte, o cansaço. Já avistava um local habitado, onde pararia para descanso. Isso me fez relaxar um pouco com a água, passando a me hidratar mais tranquilamente. Quase no final, com certeza o momento mais broxante de toda a viagem. Ao atravessar uma lagoa um pouco mais profunda, me esqueci que estava com os bolsos da camisa de ciclismo cheios. Percebi rapidamente, mas já tinha molhado a câmera, celular e carteira. O celular começou a vibrar e esquentar muito, me obrigando a arremessá-lo na areia para soltar a bateria. A câmera se apagou. Nesse momento não me contive. Estava exausto, num calor danado, doido pra chegar em um local que nem sabia ainda onde era. Comecei a praguejar, grintando muito. Já tinha me esquecido que sabia uma variedade tão grande de palavrões e praguejei talvez num dos lugares mais bonitos que já praguejei na vida.

A última foto antes do acidente com a câmera: cansaço

A última foto antes do acidente com a câmera: cansaço

O momento foi de catarse. Depois disso, só pensava em chegar, e estava bem próximo. Pedalei por mais alguns quilômetros, constantemente atormentado pela idéia de perder todo o registro da viagem, hora ou outra me conformando com o valor daquela experiência.

O dia havia se iniciado as 6 da manhã ainda no Piauí. Por volta de 1 hora da tarde e 45km depois havia chegado finalmente na Praia de Maceió. Entrei no primeiro restaurante à beira mar. Encostei a bicicleta, tomei uma chuveirada, coloquei as roupas e objetos eletrônicos estragados no sol e tive meu banquete de rei. Um litro de suco de abacaxi, peixe, batatas fritas. Não queria saber de mais nada. Depois, um cochilo na rede até as 3 da tarde. Descobri que estava a 15km de Camocim, o que revigorou meu ânimo. Fiquei mais feliz ainda quando descobri que em Camocim poderia pegar uma balsa e pedalar até Jericoacoara. Mesmo tentando esconder de mim mesmo, tinha Jeri como objetivo final da minha viagem, no terceiro dia. Terminei o trecho por uma estrada calçada, passando pelo Lago Seco, e chegando ao meu destino após 60kms pedalados.

Não bastasse todo o sufoco de pedalar sem saber onde ia chegar, custei pra arrumar uma pousada, pois era fim de semana e a cidade estava lotada. Depois de muito procurar e quase cogitar em armar a barraca ao lado do posto policial, meu destino final: Pousada San Carlos, ao lado da rodoviária.

Era o fim do segundo dia.

Resumo do dia

Trecho: Cajueiro da Praia (PI) – Camocim (CE)

Distância percorrida: 69,20km

Velocidade média: 10,5km

Caminho em Cajueiro até pegar o barco: +- 2km

De Bitupitá ate a Praia de Maceió: +-43km

Da Praia de Maceió até Camocim: 15km

Passeio por Camocim: +-10km

Sequência das praias e lugarejos: Muitos deles desertos e não soube o nome, mas passei por Bitupitá, Curimã, Praia Nova, Barra dos Remédios, Praia de Maceió, Lago Seco e Camocim.

Relato: de Parnaíba (PI) a Jericoacoara (CE) – parte 2

Primeiro dia: de Parnaíba a Cajueiro da Praia

Saí de Parnaíba tarde, e um pouco perdido. A bike ficou pronta as 10:00h. Saí rumo ao Porto das Barcas, de onde partem os passeios para o delta do rio Parnaíba. Vi que seria impossível fazer o passeio, que tinha 6hs de duração. Valeu a pena pra tirar uma foto perto do rio e marcar o ponto de partida da viagem. Segui rumo a cidade de Luis Correia, 14km pelo asfalto. O sol já estava forte, mas o caminho foi tranquilo: estrada com acostamento e praticamente reta. Chegando a Luis Correia, fui perguntando até chegar na praia de Atalaia. Ver o mar foi uma alegria, como geralmente é para a maioria dos mineiros. Me despedi sem dificuldades do asfalto (sem saber que não o veria mais ao longo de toda a viagem) e parei logo para um banho de mar. Totalmente astralizado, segui pedalando feliz da vida pela praia.

Início da viagem: porto das barcas

Início da viagem: porto das barcas

Chegando na praia de Atalaia, em Luis Correia: dali em diante, nada de asfalto;

Chegando na praia de Atalaia, em Luis Correia: dali em diante, nada de asfalto.

A maré estava baixa,  tranquila para pedalar (posteriormente vou fazer um post com algumas impresões sobre a viagem, e falarei especificamente sobre pedalar na praia). Seguia com média de 15km/h, parando para fotos ou então filmando enquanto pedalava. A praia de Atalaia possui estrutura para turismo: bares, restaurantes, aluguel de quadriciclos, mini buggys e afins. O calor era forte, e logo começou a cair uma chuva, rápida e fraca, pra amenizar o tempo quente. Segui pedalando pela praia de Barro Preto, até chegar em Coqueiro da Praia. Já era hora do almoço, e parei num bar para comer algo e perguntar até onde era possível chegar pela areia.

Ao conversar com um funcionário do bar, um homem que estava com a família ficou muito interessado em minha história e chegou pra conversar. Disse já ter percorrido todo o litoral do Piauí e Ceará de 4×4, e que eu teria que aproveitar a maré baixa (que a essa hora já subia), pedalando até a praia de Macapá, onde pegaria um barco para atravessar o rio, e daí seguir até Cajueiro da Praia.

Um refresco em Coqueiro da Praia: recarregando as energias

Um refresco em Coqueiro da Praia: recarregando as energias...

enquanto Sebastiana espera pacientemente

...enquanto Sebastiana espera pacientemente

O trecho seguinte seria o mais difícil. Talvez por isso seu nome era Praia do Arrombado. A maré tinha subido e tive de empurrar Sebastiana por um longo trecho de areia fofa. Mais a frente consegui voltar a pedalar. O caminho então seguia tranquilo – e muito bonito. Pedalava por alguns quilômetros totalmente sozinho, hora ou outra passando por um pequeno vilarejo, ou estrutura simples de bares a beira mar. Sempre perguntando a pessoas que encontrava, ia me certificando do caminho e da distância, que eu então desconhecia. Após algumas horas, cheguei até a barra do Rio Macapá. Lá fiz minha primeira travessia de barco. Era um serviço de passeio pela região, mas conversando com o dono do barco ele me cobrou R$ 2,50 pela travessia, que não durou 5 minutos. A idéia de atravessar de barco, evitando assim voltar ao asfalto me agradou muito, mesmo não sabendo qual a distância e o percurso que me esperavam. Perguntava sempre às pessoas que encontrava, geralmente mais de uma, vendo se as opiniões destoavam. Em último caso, tinha o roteiro e os mapas rodoviários.

Na Praia do Arrombado, com maré cheia e areia fofa: o jeito foi empurrar

Na Praia do Arrombado, com maré cheia e areia fofa: o jeito foi empurrar

Barra do Rio Macapá: a primeira travessia de barco

Barra do Rio Macapá: a primeira travessia de barco

Chegando ao outro lado, já estava perto do meu destino. Pedalei pela praia até Barra Grande, seguindo por uma estradinha à beira-mar até Barrinha, e finalmente, por volta das 16:00 hs, chgando a Cajueiro da Praia, última cidade do Litoral do Piauí.

Em Cajueiro, encontrei a Pousada da Lú (uma das 3 pousadas da cidade), que oferecia um quarto a 20 reais, o que me fez logo desistir da barraca e primar por um pouco de conforto. Não pedalava faziam 9 dias, além disso a bike nova, carregada, o sol forte e o esforço do terreno. Depois de um bom banho, fui passear pela cidade. Apesar de ser uma cidade, Cajueiro da Praia parece uma vila, de casas simples, porcos passeando pelas ruas e grande tranquilidade.

Final do primeiro dia: estradinha para Cajueiro da Praia

Final do primeiro dia: estradinha para Cajueiro da Praia

Vista da varanda da pousada, na pequena e bela Cajueiro

Vista da varanda da pousada, na pequena e bela Cajueiro

Num mercadinho perguntei sobre o percurso do dia seguinte. Entraria no Ceará pelo asfalto, seguindo 53km de asfalto até Barroquinha, e depois seguiria até Camocim. Porém, o dono do mercadinho disse: “tem uns meninos que vem pra cá que pagam os pescadores pra atravessar o rio até Bitupitá. De lá da pra seguir pela praia até Camocim”. Já saí do acompanhando uma mulher que me levaria a casa de seu pai, um pescador da cidade. Depois de um tempo de conversa acertei tudo. No dia seguinte, as 6 da manhã, chegaria ao Ceará de barco.

Resumo do dia

Trecho: Parnaíba (PI) – Cajueiro da Praia (PI)

Distância percorrida: 61,9km

Velocidade média: 12,5km

Passeio em Parnaíba até a chegada na Praia de Atalaia (Luis Correia): 23,54km

Da Praia de Atalaia até a travessia do rio Macapá: 24,46km

Da barra do rio Macapá (outro lado da travessia) até Barra Grande (pela praia): 3 km

De Barra Grande até Cajueiro da Praia (estradinha calçada): 10km

Sequência das praias e lugarejos: Atalaia, Barro Preto, Coqueiro da Praia, Praia do Arrombado, Maramar, Macapá, Barra Grande, Barrinha, Cajueiro da Praia.

Relato: de Parnaíba (PI) a Jericoacoara (CE) – Parte 1

Antes da viagem – o planejamento

Já sabia desde o início do ano que iria a trabalho para Fortaleza. Desde então comecei a viajar no mapa em um possível percurso para uma cicloviagem, sem saber ao certo se teria tempo pra isso. Queria fugir de rotas turísticas mais conhecidas (como Canoa Quebrada, até mesmo Jericoacoara, ou descer para Natal), deixando essa possibilidade para viagens futuras, inclusive sem bike. Vendo no mapa o pequeno litoral do Piauí não tive dúvidas: percorrê-lo por completo seria um roteiro interessante, e que provavelmente conseguiria fazer. Eram 66km saíndo de Parnáiba (divisa com Maranhão) até Cajueiro da Praia (limite com Ceará). Dependendo de quantos dias tivesse, pensei em entrar pelo litoral do Ceará até onde conseguisse ir (bem ao estilo do blog), retornando depois de ônibus para Fortaleza.

Uma cicloviagem de última hora

Organizar a viagem foi o mais difícil, e a correria do trabalho não me deixou muito tempo pra isso. Os mapas e rotas por BR’s consegui fácil, mas na verdade queria pedalar todo o percurso pela praia, sem saber se isso seria possível. Passeei pelo Google Earth, vi algumas rotas altenativas, mas nada muito concreto. E ainda faltava o principal.

Com que bike eu vou?

Levar Joelma era uma vontade, mas percebi que seria complicado. Seriam 200 pratas pra transportar no avião, mais 200 e pouco por um mala-bike, para guardá-la. Isso tudo pra não ter a certeza da viagem. Só saberia se ia conseguir viajar um dia antes, depois da reorganização de uns compromissos profissionais.

Pensei então em alugar ou comprar uma bike usada em Parnaíba, mais simples, pra pedalar os 3 dias. Meio sem saber o que fazer, entre numa sala de bate-papo da cidade de Parnaíba, e uma conjunção internética universal me fez dar um passo importante na viagm: saí do bate-papo com o endereço de uma bicicletaria e um nome: Reginaldo, da Aro Peças.

Começa a viagem

Peguei o ônibus quinta-feira (16/07) a noite para Panaíba, chegando na sexta 6 da manhã. Tomei um café e parti direto para a loja, que era próxima à rodoviária.  Ao chegar na loja, só vi bicicletas novas, e perguntei por Reginaldo. Ao aparecer, falei do meu projeto de viagem, e perguntei sobre bicicletas usadas. O vendedor se empolgou, e ao abrir uma porta ao lado da loja, vários quadros e bicicletas usadas nos mais variados estados de conservação.

Após avaliar as possibilidades, fiz minha escolha: uma bike vermelha, pequena, da marca Prince. A bike era simples, frágil, na minha opinião mais voltada para uso básico, em asfalto e pequenos passeios na cidade. Mas era o que eu tinha e esperava investir. Pedi pra colocar bagageiro, campainha, cestinha frontal e um ciclocomputador. Por R$ 200 e uma hora depois, nascia Sebastiana, minha companheira de viagem.

Sebastiana sendo montada...

Sebastiana sendo montada...

Reginaldo, da Aro Peças: valeu, camarada!

Reginaldo, da Aro Peças: valeu, camarada!

Coloquei a barraca e a mochila no bagageiro. Nas cestinha frontal (um adianto!), Foram 4 garrafas d’água (3 de 1,5litros e outra de 500ml) e coisas que precisava ter facilmente à mão, como comida, máquina fotográfica e protetor solar.
As 10:00 horas da manhã estava tudo pronto. Começaria a viagem.
Bike e ciclista prontos: começa a viagem

Bike e ciclista prontos: começa a viagem

A primeira cicloviagem…

… a gente nunca esquece. Terminei anteontem minha”primeira” ciloviagem. Entre aspas pois acho que já viajei um bocado de bicicleta, mas a primeira com mais de um dia, pernoitando e seguindo em frente. Foram 3 dias entre Panaíba (PI) e Jericoacoara (CE), pedalando pela praia. Em breve aqui o relato, longo, com fotos, vídeos etc;

Bom restinho de férias!

Programa para o Fim de Semana…

Salve, salve, caros amigos…

Para quem estiver em BH no próximo final de semanda((26/07) e gosta de dar umas voltas de bike vai uma dica legal: 1° Passeio Ciclístico Vernon.

A saída será na praça da Igrejinha da Pampulha…

2_vernon

PS.: Não se esqueçam do capacete e boa pedalada…

Barba, paz.

Sinal de vida

Estou chegando amanhã cedo em Parnaíba (PI), pra ver o delta, tentar descolar uma bicicleta e pedalar! A idéia é descer o litoral do Piauí entrando pelo Ceará até onde conseguir, em 3 ou 4 dias. Mochila leve, capacete, barraca e rede (sem dispensar uma pousada, se necessário)… Tô ansioso pra “dedéu”! Vamo que vamo…
Inté

Férias e cicloviagem.

Tô saindo de férias, e os posts ficarão minguados…

A expectativa fica por conta da possibilidade de uma cicloviagem pelo litoral, na semana que vem. Tô empolgado, mas preciso descolar um tempo entre algumas obrigações de férias. Obrigações de férias… novidade da vida moderna! 

Boa férias e boas pedaladas!

Música do mês – Julho

Kraftwerk – Tour de France

O Tour de France 2009 já começou, e o blog homenageia a mais famosa prova do ciclismo mundial (que teve a sua primeira edição no ano de 1903!) não só com a música, mas com o CD do mês. A banda alemã Kraftwerk, um ícone da música eletrônica,  lançou em 2003 o CD Tour de France Soundtracks, totalmente inspirado na competição. Sou bem seletivo pra música eletrônica, mas a banda é muito boa, e o cd então, nem se fala. Abaixo, o videoclipe de Tour de France.

Pneu furado, ciclista frustrado

Uma nota rápida

Hoje cedo, de bermuda, luva e capacete, atrasado pro trabalho, fui pegar a bike… pneu “no osso”. Isso é broxante… Furar pneu é comum, mas eu acho remendar e trocar muito chato. Pedal adiado e um dia de muita ralação. Que continua agora, já em posse de ferramentas e do kit remendo. Vou aproveitar e fazer uma coisa que esqueci de pedir na revisão: inverter o pneu traseiro com o dianteiro. Se o pneu é o mesmo, vale a pena ir trocando pro desgaste ficar igual. Se não, o pneu traseiro costuma se desgastar mais rápido, ficando “careca” antes do dianteiro.

Amanhã tem pedal, de pneu remendado… o 1º de Joelma.

Entradas Mais Antigas Anteriores

Mais visitados

  • Nenhum
%d blogueiros gostam disto: